Total de visualizações de página

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

saudade

hoje
acordei assim
essa saudade
minha
esse alvorecer sem rosas

hoje acordei
e não havia aromas a tecer
pelas varandas

o jasmim
vencido

trazia seu esqueleto seco

e essa fumaça
de carros
chaminés
de usinas velhas

invadiu a cortina
de ferro da cidade

essa feroz turbina
do dia

não trouxe
nenhuma

canção

hoje acordei
com uma saudade única

mas não queria
crer
que pudesse
ser uma saudade
anêmica

de beijar
o panô do tempo

e
ver o teu rosto puído
roto como um um degrau da vida

tantos caminhos
me deixaram assim
acordar com saudades

e ser a poesia do dia

hoje acordei assim
e não deveria

por honra
das horas

por honra de mim mesma

não deveria
ter saudades.







anjo

o anjo segue o caminho

embora cegue
a paixão

o anjo voa
sem medo

vai sem cor
po

sua alma me visita

por quê

se ainda o abismo
manchado

do tempo

partiu
o coração?

por quê
se ainda
dizes
mais
do que não tens

por quê
maldito

anjo
me fizeste
crer

que existas?

por quê
insistes

em ser anjo?
















riscos

você
uma ideia sua
não há nada no disco
raios
e ventanias
acendem-se
quando (a cor do)
seus olhos desapareceram
então os riscos
que fizemos
deixaram o paraíso
em pleno céu escuro.

do que se esqueceu

há noites em que estranhas estrelas se aglomeram e vêm buscar meu corpo para um ritual secreto

eu as vejo juntas e brilham como velas acesas de um sonho

vejo letras miúdas atravessar o poente no lago verso do rosto

algo acende não se fala mais do objeto que não se identifica como eterno

nada nasce

senão

um anjo virtual

apagando-se

na memória

de todos.

domingo, 13 de setembro de 2009

não tao perto assim

tenho fechado os olhos
tenho tentado não te ver

te ver é passagem
distante

quase ausência
quase mesmo um silêncio livre

de todos os outros sentidos
te ver é como não ter mais alma

grande mistério dos olhos

te ver é sonhar
quase de perto

com o infinito

te ver
é quase impossível

por isso
tenho fechado os olhos

para não te ver mais
partindo..

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

TEMPO

Algo respira

um dia em que olhares nos olhos do fogo me verás

entre as pedras do tempo

quando quiseres falar

já não haverá vento que te leve

porque quando me procurares

já não estarei mais

puxarás em teu coração o pássaro azul de Bukowsk

algo preso

como um silêncio cego

do livro da morte

o passado azul empalhado

dentro do teu peito quente/frio

do amor ilusão

quando quiseres me ler

lerás as cinzas

do que queimaste em carne viva


um brilho de fome

permanecerá em ti

permanecerá em ti

permanecerá

em ti.

DENÚNCIA

Eu denuncio o prazer de ter tido o desprazer de não ter sido
o demolir do novelo
antes do primeiro vôo
como um silencioso corpo
como um misterioso animal preso aos corais
eu te denuncio
renuncio ao uso indevido dos sonhos
da música ter entrado assim como um líquido complemento de placenta
do não - nascer
como um aborto do mundo indesejado
eu denuncio todas as palavras escritas que fincaste na lua
à luz das estrelas mortas
ao sonho do infinito universo
eu não preciso de gritos preso
como células com sangue
por isso solto o verbo parido
a surpresa vindo da garganta ferida
feto que se aprisiona no nicho sobrenatural
eu te denuncio como um falso diamante
um fogo fátuo
uma armadilha para humanos
te denuncio como superfície da pele
raso perfil de sonho maquiavélico
que pouco revelo à carne do mundo
no que se desfez - raiz
o que se refaz em mim agora
esse par de asas de ferro
projeto ousado para o mundo feito de pedras
no mundo dos que não ousam amar.