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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

DESCARTÁVEL
quero jogar no lixo a rosa que comprei na praia – aquele abajur que sujou de sangue quando cortei o dedo – a bolsa que usei no carnaval – a saia que manchou de esmalte – o chapéu que tem um pontinho branco de mofo – a carcaça do computador que está ultrapassado – as bijuterias desbotadas – os vasilhames de 1, 99 que rasgaram em menos de um mês – os cadernos vencidos, ainda cheios de páginas em branco – as garrafas de vinho – a pulseira de couro que enjoei – os sapatos que enjoei – os vestidos que enjoei – as calças compridas que saíram de moda – quero jogar fora a raquete de matar mosquitos – a sandália de plástico roída – o pente colorido cafona que comprei num impulso de momento – as garrafas de plástico de água mineral – o isopor que tem uma mancha preta de caneta – os ursinhos mofados – os CDs piratas que funcionaram apenas 3 vezes – o agasalho de frio – o telefone sem fio que deu pane na bateria – o liquidificador que enjoei – a geladeira que tem um pingo de ferrugem e meu colchão de ácaros. Para onde isso vai, não me interessa, eu quero é me livrar – por isso jogo tudo no lixo.



Vejo da televisão o cenários das ruas e choro, como eu choro, lagrimo, vejo pessoas morrerem afogadas, sendo levadas pela correnteza, pessoas desabrigadas, peixes morrendo com sacos plásticos na boca, pessoas com dengue hemorrágica, animais com fome, pessoas com fome, muita lama nos noticiários. Por que será que as cidades estão alagando? Seria o fim do mundo? Meu Deus, que absurdo, toda essa gente sofrendo.


 
Ah! Falar nisso, vou ao shopping comprar coisas novas, preciso me distrair. Duas semanas depois ... Estou enjoada: Jogo tudo no lixo!