Total de visualizações de página

terça-feira, 22 de abril de 2014

todas as manhãs em que acordo recordo cenas místicas misturadas em minha cabeça. por lá giram sombras, desenhos e coloridas imagens que tiro da ilusão. sim. iludo-me. um bom viver necessita do sonho. porque viver não basta. nosso dia a dia se agiganta em formar sílabas pretas e cores opacas na paisagem. é só olhar quando se caminha. o pouco a pouco se formando. as casas tortas. o lixo defumando o horizonte. os ratos caminhando pelo leito do pequeno rio poluído. somos uma índia. somos uma china. compramos seus trambolhos e multiplicamos nossos pertences camuflados em felicidade.

não importa. é simples. é só seguir o caminho por onde os insetos se mimetizam. sigo uma trilha colorida. ora o arco íris me alcança com seu reflexo de cores fakes. as flores selvagens daquele parque que gosto tanto. as borboletas azuis contrastes significativos ao verde oliva das mil árvores finas sem pontos de luz de sol. me retorço para encontrar os raios que caem finos sobre a umidade das folhas amarronzadas. o sol que me aquece. o abraço. que abraço quente cheio de ondas sonoras. seguidas pelo canto da cigarra. seguir aonde for preciso. irei atrás desse muro que nos separa. é só seguir. o puro sentimento de tranquilidade. o odor daquelas horas passadas. as pegadas das águas que caem no leito do rio.

não quero começar o dia apenas bocejando. dizendo para mim o quanto a vida é insegura. ou que o espelho amasse meu olhar. quero seguir pura. alienada? quero seguir. desencontrar de ossos feridos. quero ver as cores. os homens bons. o sorriso de alguém que apanha a serotonina no ar. as pedaladas. as caminhadas. as jornadas cruas. quero vida. a seiva que ainda temos em mãos.

fico triste ao lembrar que quebrarão o silêncio desse templo aberto. dessa pequena floresta dentro de uma cidade que cresce. apenas cresce mas não se desenvolve. esse torpor desmedido pelo poder e pela beleza falsa. com o desbravar de uma estrada por dentro do parque. uma ponte de ferro? e o cair aos pedaços dos pneus pelos espaços abertos. pelos vãos das grades da ponte. caindo como uma goteira. que infinita loucura estão o permitindo fazer? quem teve essa ideia?

a ponte sobre o parque trará resíduos de homens que mastigam suas guloseimas. garrafas plásticas lançadas pelas janelas. mais. o barulho inconsequente de motores com seus mal fluídos de trânsito de terceiro mundo.

parque bolonha. gosto tanto. e quanto ainda preciso me iludir e aumentar a dimensão de minhas miragens? por certo nada disso verei. ou terei guardado em meu coração. quero passar por ali e não olhar para baixo. olhar para lugar algum que se descaracterize sua natureza. para aquela água abençoada que nos abastece. sendo engolida pela propaganda política de uma bela paisagem como pano de fundo de uma prefeitura que com essa atitude passa a se tornar irresponsável com nossa saúde.

toda água deve ser preservada como algo sagrado.



  
      



Portraits alongside




I sing the death of remembering
not belonging

to the absence of longing forever
for a place in the placenta
blood

I sing in the mist
under the night in pieces

portraits alongside the spirit
woven by a cloak of esteem

I sing
to nobody

the empty road is my burden

air
pain
of jasmines on the shade

inside me
scents disguised
in gardens
give off contentment.        



Poem by: Josette Lassance
Translated by: Fabíola Marques da Silva



quarta-feira, 16 de abril de 2014

It rains; the house of empty windows closes

Missus Vinoca is on her feet

dirt ground

dirt walls

the clay bowl on the window sill harvests the rain petals

firewood aroma distills

Missus Vinoca is so little

Calico dress

Draws a portal to me

And walks with her leather and wood clogs

Under the tracks of the sky


Poem by: Josette Lassance

Translated by: Fabíola Marques da Silva